Depois de um ano e meio fora das listas de convocados para defender a seleção, Bateria está de volta à equipe verde-amarela para os amistosos contra a Polônia, em Uberaba (MG). A conovação foi muito comemorada pelo ala de 27 anos, que passou por uma verdadeira via-crúcis na carreira, ficando afastado das quadras por boa parte de 2017 devido a seguidas lesões. Para piorar, em agosto do ano passado, o Barcelona decidiu rescindir o contrato com Bateria, que tirou o segundo semestre para se recuperar fisicamente. Contratado pelo Marreco-PR no início de 2018, o ala de 27 anos afirma que já virou a página, mas revela uma certa mágoa com o clube catalão.

Ricardo Artifon

Kleber Barbão e Bateria: parceria desde 2013

– Fiquei um pouco chateado, mesmo porque ainda tinha três anos de contrato com o Barcelona. Sem contar que todas as lesões que eu tive foram dentro do clube. Foi uma situação bem difícil e eu tive que tomar uma decisão rápida. Então, a cada dia que passa, eu tenho a certeza de que fiz a escolha certa – disse Bateria, que enfrenta a Polônia nesta sexta, às 19h15, em Uberaba (MG), em amistoso com transmissão ao vivo do SporTV.

Revelado pelo Joinville, Bateria chegou ao Barcelona em julho de 2014, após três anos no arquirrival Inter Movistar, equipe com sede em Madri. Com a camisa do Barça, o ala marcou 62 gols, foi tricampeão da Copa da Catalunha, mas acumulou quatro vice-campeonatos (duas Ligas Espanholas, uma Copa da Espanha e uma Uefa Futsal Cup).

A sequência de lesões aconteceu na temporada 2016/17 do futsal europeu. Primeiro Bateria lesionou o músculo da coxa esquerda. Pouco depois, o ala ficou quatro meses afastado das quadras por conta de um problema no joelho do mesmo lado. Na volta ao futsal, Bateria ainda lesionou o ligamento do ombro numa queda de mau jeito.

A sequência de lesões do lado esquerdo do corpo fez o ala procurar o fisioterapeuta Kleber Barbão, que faz parte da comissão técnica da seleção brasileira. Como o profissional tem uma clínica particular em Maringá-PR, o ala se mudou para a cidade paranaense para focar única e exclusivamente na recuperação. O trabalho surtiu efeito.

– Estar de volta à seleção me traz um sentimento de dever cumprido. De uma decisão que foi muito complicada de ser tomada, de ter que parar um tempo para colocar as coisas em ordem. Foram praticamente sete meses de esforço para voltar bem. Chegamos a trabalhar três vezes por dia, de manhã, à tarde e à noite, em sessões que iam de 1h30 a 2h. Foi exaustivo, porém satisfatório. Na última semana, fizemos reavaliações, e os resultados foram excelentes. Só tenho palavras de agradecimento ao Kleber, que é dono da clínica, e também a todos os profissionais que me acompanharam por lá – disse o jogador.

Bateria e Kleber iniciaram a parceria profissional em 2013, quando o ala se apresentou à seleção para a disputa do Grand Prix Internacional daquele ano, na própria Maringá. Na ocasião, o jogador estava com uma lesão grave no tendão, que conseguiu ser revertida por Kleber durante o período em que os dois estiveram juntos. A partir de então, Bateria criou uma relação de grande cumplicidade com o fisioterapeuta.

Ricardo Artifon

Bateria durante treino da seleção brasileira em Uberaba

– Depois do Grand Prix 2013, toda a lesão que ele teve ele me procurou, até mesmo por telefone. Antes da Copa do Mundo (2016) ele passou um tempo na nossa clínica para fazer uma preparação para chegar ao Mundial sem dor. Conseguimos esse resultado e ele chegou 100%. Depois que ele voltou para Espanha, começaram as seguidas lesões. Cheguei até a ir a Barcelona, fiquei com ele uma semana, até que ele rescindiu com o clube e decidiu ir a Maringá ficar trabalhando na nossa clínica – disse Kleber.

Treino top com a @ferlucchese.. 💪👏🔝

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Nesta quinta, em Uberaba, Bateria e Kleber fizeram o primeiro trabalho juntos, visando a preparação para os dois amistosos contra a Polônia. Ao posar para as fotos com o fisioterapeuta, Bateria afirmou que “gratidão era a palavra que definia aquele momento”.

– Durante o período em que o Bateria esteve comigo em Maringá, ele recebeu várias propostas, e não quis para se dedicar à reabilitação. Agora a gente fica contente com essa volta por cima, de ter acertado com o Marreco e de estar na seleção. O mérito maior é dele, por ter abdicado de cinco meses da carreira para ficar só se reabilitando, quando muitos desacreditavam dele. Fico feliz por ele, pela família dele, porque são pessoas especiais, que merecem o melhor da vida – finalizou o fisioterapeuta.