É praticamente impossível não ligar o futsal ao futebol. Além da semelhança entre as modalidades, muitos dos primeiros passos dados por futuros jogadores profissionais são dentro de uma quadra. Considerado o maior jogador de futsal de todos os tempos, Falcão defende que o futsal faça parte dos treinamentos do futebol.

Na avaliação de Falcão, o futsal aprimora muitos recursos utilizados pelos jogadores de futebol. Além disso, o craque defende que crianças até uma determinada faixa etária pratique apenas futsal, por ter mais contato com a bola e desenvolvimento de características fundamentais como passe, domínio, drible, defesa e finalização.

Marcos Ribolli

Falcão defende que o futsal faça parte dos treinamentos de futebol

– Estamos falando de alto rendimento. Acho que crianças até os 10, 11 anos têm que jogar apenas futsal. Por que? Quando você pega um treinamento de futsal de uma hora, a criança vai pegar na bola trinta, quarenta vezes. O mesmo menino no futebol, sendo zagueiro, vai pegar na bola três vezes e dar três chutões. Entre 12 e 15 anos você desmembra, quando os grandes clubes passam a ter uma visão profissional. A base deve caminhar na formação com o futsal, acho que tudo está ligado – disse Falcão, através de seu canal no YouTube.

Falcão defende a tese usando o exemplo do futebol praticado pelas metodologias de trabalho de Fernando Diniz e Pep Guardiola, que priorizam a troca de passes e posse de bola, além de verticalizações de jogo.

– O Fernando Diniz é um cara que quer inovar. Quando você pressiona um goleiro, por exemplo, ele se desfaz da bola. Na Europa, um goleiro com três, quatro metros está tranquilo porque tem uma rotina de treinamento para isso. O Guardiola, por exemplo, dá treinamentos de futsal. O futsal deve fazer parte do treinamento do futebol. Fazer os caras pensarem mais rápido, colocar eles numa quadra para tomar decisão mais rápida, fazer o goleiro ter mais reações – explica Falcão.

“O futsal tem que continuar fazendo parte da formação de jogadores de futebol”, disse Falcão.

Outra tese defendida por Falcão é o tamanho dos campos de futebol, o que impossibilita o contato das crianças com a bola. Na visão do craque, isso faz com que cada vez menos se tenha jogadores dribladores e habilidosos.

– A quadra de futsal é grande, imagina o campo de futebol para um garoto? Os treinadores precisam pensar mais e usar as características de cada jogador. Fomos perdendo a qualidade ao longo das gerações. Você pega hoje o Neymar que é um driblador porque ele pegou essa sequência, o Rodrygo, Vinicius Jr. Porque não ter mais jogadores assim? Fazendo isso teremos como aumentar a qualidade dos jogadores – analisa.

Falcão aposentou oficialmente do futsal na temporada passada. Ao longo de duas décadas de carreira, o jogador acumulou mais de 100 títulos conquistados, entre eles duas Copas do Mundo (2008/2012), mais de 3 mil gols marcados, sendo 401 pela seleção brasileira, além de ter sido eleito quatro vezes o melhor jogador de futsal do mundo pela Fifa.