A Seleção Brasileira de Futsal conquistou há pouco tempo, de maneira invicta, o seu décimo título do Grand Prix de Futsal, após vencer na grande final a Seleção da República Tcheca por 4 x 2. Foi o segundo título conquistado em pouco menos de um ano com o treinador Marquinhos Xavier à frente do cargo. Na temporada anterior, o comandante já havia conquistado junto com os jogadores a Liga Sul-Americana, após final contra a Colômbia.

Ricardo Artifon

Marquinhos Xavier conquistou o Grand Prix com o Brasil este ano

Sob o seu comando, o time brasileiro acumula 14 vitórias em 14 partidas disputadas até o momento. Agora,  Marquinhos Xavier, apesar de jovem – 43 anos-,  se prepara  para mais um desafio sob o comando da equipe brasileira: as Eliminatórias visando a Copa do Mundo de 2020, ainda sem local definido.

Duas vezes indicado ao Prêmio de Melhor Técnico de Futsal do Mundo pela Futsal Planet (2015 e 2017),  Marquinhos Xavier, treinador do Carlos Barbosa e da Seleção Brasileira, falou ao repórter Thiago Albino , assuntos pertinentes para a sequência do seu trabalho junto à equipe, como: a conquista do Grand Prix, renovação de elenco, Mundial de 2020 entre outros. Confira:

Thiago Albino: Você está no cargo há pouco menos de um ano. Como você avalia sua trajetória como técnico da Seleção Brasileira até o momento?

Marquinhos Xavier: Completarei um ano à frente do comando da Seleção agora em julho. Entre todos os desafios que a gente têm procurado superar, o maior deles é administrar a Seleção e o clube, uma vez que eu sigo vinculado ao Carlos Barbosa. Eu digo isso não só em relação aos compromissos físicos, mas as demandas de trabalho que eu tenho, a dedicação precisa ser integral. Estamos contentes com o andamento do trabalho, a Seleção já tem um roteiro a ser seguido e estamos contentes porque as coisas estão acontecendo da maneira que planejamos inicialmente.

TA: A Seleção Brasileira de Futsal está invicta sob o seu comando. Pode-se dizer que superou as expectativas?

MX: “Tivemos vários encontros e a Seleção permanece invicta. O que na minha opinião não quer dizer muita coisa. Nosso caminho não é mirar só o resultado, o que temos feito é tentar dar uma nova identidade, e felizmente os resultados vêm acompanhados das concretizações desses desejos, das metas que temos em fazer com que a Seleção se apresente bem e tenha um perfil de jogo muito definido. A nossa expectativa tem sido alcançada, em todas as convocações tivemos a oportunidade de revesar toda a comissão técnica, e trazer mais opiniões e colaborações de profissionais que estão juntos nesse processo de reconstrução”.

TA: Há algum tempo se fala em renovação com a Seleção Brasileira de Futsal, e você deve se considerar parte disso, já que é um treinador jovem, mas com um grande currículo. Como você tem trabalhado essa parte de renovação junto com a comissão técnica e quais as perspectivas para essa nova safra?

MX: “Eu sempre reforço que o nosso principal desafio não é montar uma equipe para 2020, mas preparar uma equipe também para o ciclo de 2024. Quando a  gente fala em resultado, às vezes esquecemos do que é importante a médio e longo prazo. Dentro da Seleção nós estamos fazendo isso. Optamos por não fazer nenhuma mudança radical.

Não podemos de uma hora para outra desprezar atletas com experiência e que mesmo pela idade, podendo não estar no Mundial de 2020, eles podem contribuir para agregar experiência, agregar junto ao grupo um perfil de atleta vencedor. A minha chegada também culmina com isso, sou um jovem treinador, tenho ao meu lado a presença do (Fernando) Ferretti , que é um treinador extramente experiente, e junto com os demais membros da comissão técnica, formamos um grupo onde cada um pode contribuir com o que  já vivenciou dentro da Seleção Brasileira”.

TA: As Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2020 se aproximam. Será o principal teste para os jogadores?

MX: “As Eliminatórias marcam um importante momento da Seleção Brasileira. Sabemos que o Brasil entra em todas as competições sempre sendo favorito, e esse protagonismo deve ser assumido, mas precisamos entender que as outras Seleções vêm crescendo ao longo do tempo. Mas, temos uma tranquilidade de chegar nas eliminatórias muito bem estruturados como equipe, muito confiante daquilo que estamos fazendo. Vamos chegar em um nível de preparação muito boa”.

TA: Você estuda diversas seleções de diversos continentes. O futsal que vem sendo praticado na Europa evoluiu na sua opinião? A Seleção Francesa é um exemplo claro disso?

MX: “É uma atribuição da nossa função monitorar as demais Seleções além da brasileira. Temos uma comissão técnica muito integrada que participa ativamente dessas observações. Tenho visto muitas equipes surpreenderem. Dentro da própria Euro (UEFA Futsal Euro), a França mostrou uma equipe que está em processo de evolução. Temos que ter atenção especial em relação a todos os adversários.

O futsal se globalizou. Brasil, Espanha, Portugal e Rússia, mencionadas antes como as principais seleções, já não detém os favoritismos sozinhas. Outras Seleções poderão assumir esse protagonismo de disputa ao longo do tempo. Precisamos ficar atentos e ir observando tudo o que acontece e entender em que momento e situação ter a oportunidade de enfrentar essas equipes. É uma solicitação nossa, para que tenhamos um feedback mais preciso a nível de capacidade de todos esses adversários da Europa e da Ásia, em nível de destaque do futsal mundial”.