Os três anos em que cursou química no Rio Grande do Sul não foram suficientes para Deives cometer um desatino quando jogava pelo Benfica, de Portugal. De Porto Alegre onde treina em casa, enquanto não pode retomar às atividades no Corinthians, o pivô conversou nesta quinta-feira com o repórter João Barreto da LNFTV e TV NSports. No bate papo, contou pela primeira vez do quase trágico episódio e, também, sobre a carreira no futsal.

Yuri Gomes

Deives é o atual capitão da equipe alvinegra

“Comecei nas categorias de base do Inter e em 2004 o PC Oliveira me levou para a ULBRA. De lá para cá dediquei a minha vida ao futsal. Eu já estava no terceiro ano do curso técnico em química em Novo Hamburgo e levava uma hora para chegar ao clube e treinar. Decidi apostar nesse momento e graças a Deus deu certo”, conta o jogador.

Aos 35 anos de idade, Deives ocupa o tempo seguindo a cartilha de treinos passada pelo preparador físico e cuidando também dos assuntos pessoais fora do futsal, esporte que ele escolheu como profissão e que decidiu por sua posição na quadra assistindo outras referências.

“Resolvi jogar de pivô vendo o Jorginho e o Marquinhos principalmente. Eram atletas com o meu porte físico. O Marquinhos não faz ideia de quantos jogos eu vi dele e foi um dos caras que fizeram eu investir a jogar de pivô de movimentação”, conta o atleta que aproveita para dar uma dica aos mais jovens: “Observar jogos e analisar jogadores de referência. Um pivô tem três, quatro segundos para concluir uma jogada.”

Com tempo para recordar a carreira, Deives não esconde o carinho pelo atual time. É vestindo o preto e branco no ginásio lotado de torcedores alvinegros que ele recorda o que considera o ápice de sua trajetória até aqui.

Yuri Gomes

Deives foi campeão, craque do campeonato, artilheiro e melhor pivô da LNF2016

“Ponto mais alto e marcante foi a LNF com o Corinthians de 2016. Foi um filme que quem viveu sabe o que eu estou falando. Esse título tem grandes memórias e guardo com carinho. Aquele time foi montado nas férias, após um desmanche. Foi feito um grupo com uns cinco, seis caras experientes e outros muito jovens. Pouca gente acreditava, pois, a comparação com o time de 2015 era desigual”, recorda Deives, que sintetiza a identificação com o clube: “A gente é um torcedor dentro da quadra.”

Deives jogou na Espanha e em Portugal. Nos dois países garante que não há comparação com o nível de competitividade encontrado na LNF. Avesso a derrotas, até em treinos, o jogador revelou durante a conversa um assunto até então inédito quando jogava pelo Benfica.

“Tive uma lesão na costela poucos dias antes do clássico contra o Sporting. Era uma fissura, tinha muita dor. Misturei dois remédios e passei a madrugada com sintomas de convulsão. Estava com medo de ir para o hospital e ser descoberto pois já era o dia do jogo. Fiquei com medo até de morrer. Foi louco, mas foi um aprendizado para nunca mais me auto medicar”, alertou o craque corinthiano.

Na próxima semana o convidado para a Live da LNF é o pivô Sinoê, que chegou ao Campo Mourão nessa temporada.