O celular de Ferrão não parou um minuto na última quinta-feira. Ligações, mensagens e recados nas redes sociais para parabenizar o brasileiro pelo prêmio de Melhor Jogador de futsal do mundo de 2019. Entre as homenagens ao pivô do Barcelona, postagem de Falcão colocando um emoji de coroa na cabeça do amigo e relembrando os duelos no pingue-pongue.

Reprodução Instagram

Falcão, lenda do futsal, parabeniza Ferrão pela conquista de melhor do mundo

O Brasil, aliás, tomou conta do Futsal Awards, feito pelo site especializado Futsal Planet. Amandinha foi eleita a Melhor Jogadora do mundo pelo sexto ano seguido, Leozinho venceu como Melhor Jogador Jovem, e Leo Higuita (naturalizado pelo Cazaquistão) foi eleito entre os goleiros. E o Brasil ainda levou o prêmio de Melhor Seleção.

Já o Barcelona, além de Ferrão, ganhou como Melhor Equipe e Melhor Técnico de Clubes, com Andreu Plaza. “De cinco títulos oficiais disputados em 2019, ganhamos quatro. E quando o coletivo vai bem, o individual sai recompensado”, disse Ferrão em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br. Confira a entrevista completa AQUI.

O pivô já estava com saudades das quadras antes mesmo de as competições serem paralisadas na Espanha por conta do coronavírus. No início do último mês de dezembro, o brasileiro passou por cirurgia no tendão de Aquiles da perna esquerda. Sem poder fazer o tratamento com os fisioterapeutas do clube, Ferrão tenta ver ao menos um lado bom na paralisação no aspecto esportivo. “Agora vou ter tempo para me recuperar melhor”, explica. E depois da conquista, está ainda mais ansioso para voltar a jogar: “Chegar até aqui é difícil. Manter é mais ainda.”

Javier Borrego

Ferrão comemora gol marcado pelo Barcelona no campeonato espanhol de futsal

O prêmio de melhor do mundo fez um filme passar na cabeça de Ferrão. Lembrou do início em Chapecó, em Santa Catarina, e da importância da passagem pela liga russa. Mesmo que logo no seu primeiro jogo por lá tenha encarado uma cidade com termômetros marcando 40 graus negativos.

 

Barcelona, melhor time do mundo

“O ano de 2019 foi de muitos frutos para nós. De cinco títulos oficiais disputados, ganhamos quatro. E quando o coletivo vai bem, o individual sai recompensado. Fiquei muito feliz pelo Andreu (Plaza, que foi eleito melhor técnico de clubes), porque a gente começou um projeto novo desde que ele chegou há 4 anos. E no processo até aqui a gente não estava conseguindo ganhar em alguns anos. Tinha um time bom, jogava bem, mas não ganhava os títulos. 2019 mostrou que estávamos no caminho certo.”

 

Brasileiros premiados

“Brasil sempre foi uma vitrine no futsal. Sempre teve muitos jogadores. Tanto que você encontra brasileiros em todas as ligas do mundo, mesmo nas outras seleções. E os prêmios não vêm por acaso. Amandinha já está acostumada, é o sexto seguido dela. Leozinho é um craque também. Conheci agora nas Eliminatórias. Eu não joguei, mas estive lá com a seleção, que também ganhou prêmio. E o Leo Higuita, que já vem ganhando como melhor goleiro. E ele o Guitta, que joga comigo na seleção, são muito bons. Quem ganhasse seria merecido.”

 

Falcão e as disputas no pingue-pongue

“Quando Falcão e eu íamos juntos para seleção, a gente achava uma mesa de pingue-pongue em algum lugar. A galera ficava até assistindo. Então a gente ficava “se matando”. Chegava até cansado para treinar de tanto que a gente jogava. Mas ele “mentiu” (na mensagem que postou). No pingue-pongue quem manda sou eu. No futsal é ele, mas no pingue-pongue sou eu.”

 

Trajetória

“Passa um filme pela cabeça. Não só desde quando cheguei ao Barcelona, mas de quando comecei a jogar futsal lá em Chapecó. Desde que saí do Brasil foi um passo importante na carreira. Com 19 anos, ir morar na Sibéria e viver outra cultura, você acaba aprendendo muita coisa. E jogar nas 3 melhores ligas: brasileira, russa e espanhola. Consegui pegar um pouco de cada característica.”

 

Experiência e perrengues na Rússia

“Eu achei muito bacana. Teve muita gente que foi jogar lá e não gostou pelas diferenças de cultura e idioma e também do frio. Demorei para me adaptar, como todos, mas foi muito vitorioso. A liga era muito forte. Hoje em dia baixou um pouco o nível. Na época não tinha time fraco. Você acaba tendo que se virar em um país que você não conhece nada.

Teve perrengue de tudo que é jeito. De sair no frio e a mão congelar. Ou para se comunicar e não estar com tradutor junto.

Quando eu saí do Brasil, eu morava em Joinville na época. Sai de um calor do verão de 30 graus e fui para lá. Meu primeiro jogo foi em Norilsk, uma das cidades mais frias da Rússia. E estava 42 graus negativos! Quase 80 graus de diferença de um para outro.”

 

Confinamento e recuperação da cirurgia

“Essa pandemia é um caos em todos sentidos, especialmente para a saúde das pessoas. Quanto à minha lesão, tem o lado bom e o lado ruim. O lado bom é que as competições pararam e eu vou perder menos jogos. Estava tentando voltar para o Final Four da Champions League, que seriam dias 24 e 26 de abril, e estava muito em cima. Agora vou ter tempo para me recuperar melhor. Mas não posso fazer os tratamentos com os fisioterapeutas do clube. Estou tendo que fazer alguns exercícios em casa. ”