O mundo todo atravessa um momento de incertezas. Como todos os esportes, o futsal brasileiro também interrompeu suas atividades programadas e um novo calendário será estabelecido assim que, primeiro as autoridades de saúde, e depois as responsáveis pelas competições definirem quando e como a rotina será reestabelecida. Até lá, o período atual de quarentena tem sido de muito treino doméstico para quem ainda tem lenha para queimar e de recordação para quem já deixou seu nome gravado na história da LNF.

“Esse vírus quebrou a preparação de todo mundo. Estamos tendo que treinar em casa e sabemos que não é a mesma coisa. É uma incógnita e é difícil pensar no que vai acontecer a curto e médio prazo. Mas quando acontecer, vai ser uma Liga equilibrada como tem sido, com times de médio investimento chegando também”, opina Djony, nada mais nada menos que o melhor jogador da última edição da competição e com 13 ligas no currículo.

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Djony defendeu o Santos na conquista de 2011

Jogar 13 edições do torneio é algo significativo, imagine 15. E dessas 15, chegar à final de oito e ganhar sete títulos. Pois esse é o lastro do fixo Índio, um dos grandes nomes do futsal brasileiro.

“Vai ser uma liga atípica, mas o atleta tem que se superar nesses momentos. Vai ter que haver parceria entre jogadores, comissões técnicas, patrocinadores, clubes e torcida, todos unidos em função do que está acontecendo. O campeão dessa edição vai ser lembrado pelas dificuldades que esse ano está tendo”, acredita o ex-jogador.

Perto de Índio, outro recém aposentado, Ariel, com 13 torneios disputados na carreira, acha que, embora a dificuldade da preparação interrompida com o isolamento do coronavírus, a especificidade pode servir para que a competição apresente algo diferente.

“Esta situação está prejudicando todos os clubes e atletas. Todo ano a LNF tem seu brilho diferente, e este ano muitas equipes se reforçaram muito bem, será talvez uma das mais equilibradas dos últimos anos”, projeta o ex-atleta.

Enquanto olhar para frente está complicado, olhar para trás e reviver grandes momentos é um exercício para lá de salutar em tempos de reflexão. Por isso, os três personagens escolheram momentos marcantes depois de muito suarem a camisa pelas quadras do Brasil.

“Minhas melhores lembranças são duas: o bicampeonato pelo Pato nos últimos dois anos. Nem o mais fanático torcedor iria imaginar que conseguiríamos esse feito. E outra lembrança é o título com o Santos, em 2011. Era uma equipe que se tornou uma família comandada pelo Falcão”, recorda Djony, que em 2007 debutou na LNF pelo Florianópolis.

“A minha maior lembrança foi em 2008 jogando pelo Tubarão. Conseguimos alcançar a melhor campanha chegando em quinto lugar. O clube nunca tinha passado de fase e naquele ano chegamos na fase final e perdemos para o Malwee nos playoffs. Mas com certeza foi um ano histórico individualmente, para o clube e para a cidade que abraçou o projeto”, relembra Ariel, que estreou pelo Jaraguá, onde depois levantou a taça em 2005.

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Ariel e Falcão, campeões pelo Jaraguá em 2005

Não há dúvidas de que pelos números, superar Falcão na história da LNF é tarefa ingrata. Maior artilheiro da história, mais troféus levantados, o gênio marcou gerações de amantes da bola pesada dando show nas quadras nas duas últimas décadas. No entanto, um fixo quase conseguiu essa façanha de superá-lo em conquistas da Liga. Por isso, as suas duas principais recordações têm quase vinte anos de distância uma da outra.

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Índio conquistou a Liga Futsal em 1999 ao lado de grandes craques da história do futsal

“A do Atlético-MG em 99, pelo público dentro do Mineirinho com 28 mil pessoas com certeza. E depois, em 2016, eu encerrando minha carreira no Corinthians, de virada com gol meu no 3 a 2 contra o Magnus, nos últimos segundos, foi demais. Mesmo jogando fora do Brasil quatro anos, sou o segundo maior vencedor da LNF”, relembra um dos veteranos que ajudaram a escrever a história dos 25 anos da maior competição de futsal do mundo.

O início da Liga Nacional de Futsal segue suspenso por tempo indeterminado por conta da pandemia de coronavírus.