O projeto CBF Social e a Organização das Nações Unidas (ONU) promoveram um debate sobre o uso do futebol como ferramenta para a prevenção ao crime e proteção de jovens e crianças, na sede da Confederação, nesta terça-feira (30). Jairzinho, campeão do mundo em 1970, falou sobre o inicio da sua carreira e de seu projeto social “Fábrica de Talentos Furacão”. O maior artilheiro em uma edição de Copa em todos os tempos chamou atenção para as desigualdades sociais, problema em que acredita que se deve focar o trabalho.

– Não consigo conceber o garoto que quer estudar e não tem condição de estudo, fica doente e os hospitais não podem atender, ele quer treinar, mas não pode pagar. A maioria é pobre e costuma ter uma cobrança de 100 a 200 reais para fazer um teste. Isso que me preocupa e é nisso que eu estou pedindo ajuda – afirmou.

Lucas Figueiredo

Seminário debate futebol como ferramenta de paz

Gabriel Dias, bicampeão mundial de futsal, chamou atenção para o fato de que cerca de 80% das escolas municipais e estaduais possuem quadras poliesportivas e que a maioria delas são mal aproveitadas ou não utilizadas. Para ele, isso é uma ferramenta de formação social desperdiçada. O ex-jogador acredita que o uso correto desses espaços, estimulando a práticas de esportes na escola poderia melhorar e transformar a vida de muitas crianças.

Já Jorginho, oito vezes campeão mundial de Beach Soccer, acredita que os profissionais devem se atentar para as habilidades dos alunos envolvidos nos projetos. Uma criança que não se sai bem no futebol de campo pode ser um ótimo atleta de salão ou areia, então, os professores devem se atentar a isso. Para o atleta, também é papel do esporte e dos profissionais envolvidos mostrar para os jovens e crianças que elas precisam de instrução e educação para serem profissionais e cidadãos melhores, ainda que fora do futebol.

– Nós temos que ajudar de alguma forma. No Vasco, por exemplo, tem uma escola dentro de São Januário então se todos os clubes fizessem isso, já seria alguma coisa. Você precisa fazer a criança entender que no futuro ela vai precisar do estudo. Nem todos vão ser jogadores de futebol, basquete, natação, o que seja. A gente precisa orientar essas crianças, o que tem que passar para elas é isso: você pode até ser um jogador bem sucedido, mas e como homem? E o caráter? É isso que precisamos passar – acrescentou.

O diretor de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor do Ministério do Esporte, André Argolo, falou sobre o Programa Seleções do Futuro – uma parceria entre o Ministério do Esporte e a CBF. O programa tem como objetivo principal democratizar o acesso a formação esportiva através do futebol e seus derivados (Futsal e Beach Soccer) e promover o desenvolvimento da modalidade entre jovens de 6 a 17 anos, no masculino e no feminino, e utiliza a metodologia desenvolvida pela CBF Social.