A pandemia do novo coronavírus mudou o cenário do esporte mundial. Com treinos e jogos suspensos mundo a fora, os jogadores vivem uma rotina bem diferente do que estão habituados e tem os cuidados com a saúde como prioridade no momento.

Pensando nisso, o Avante! e OCP foram atrás de atletas nascidos ou criados em Jaraguá do Sul, que hoje atuam no futsal europeu, especialmente em países que viraram o epicentro da doença no continente, para contar como a vida de cada um foi impactada pela pandemia.

A Itália é de longe o país europeu mais afetado pela Covid-19. São mais de 115 mil casos confirmados e quase 14 mil mortos. Em uma região em situação não tão delicada como no resto do país, está Dian Luka.

Cria das categorias de base do Jaraguá Futsal, clube em que dedicou 10 anos de sua carreira, o ala mora há dois anos na cidade de Avellino, região da Campânia, com pouco mais de 50 mil habitantes.

Por lá, o jogador de 29 anos que atua no Sandro Abate, está em quarentena desde o dia 8 de março e só sai de casa para compras necessárias, já que apenas comércios alimentícios, farmácias e postos de gasolina estão abertos.

Dian - Foto divulgação

Dian relata as dificuldades na cidade onde mora na Itália

Segundo ele, a região onde reside geriu bem a crise, sem faltar comida em mercados e remédios nas farmácias, diferentemente de muitos locais no país que se criou um desespero na população e prejudicou o abastecimento.

A situação na Itália ainda é crítica, com muita gente internada e em estado grave, mas os especialistas veem uma grande queda no número de novos casos nos últimos dias. Mas nada que aumente a expectativa da volta dos campeonatos, que podem até serem cancelados no país.

“A maior dificuldade está sendo ficar em casa todo esse tempo, ainda mais com meu filho que só tem 2 anos e 11 meses. O medo também é outra coisa difícil de lidar, você não sabe como lidar com esse novo vírus. As ruas estão desertas, as pessoas se evitam, usam máscaras e luvas. A alegria da Itália simplesmente sumiu”, conta Dian.

 

Na Espanha

Com passagem pelo futsal jaraguaense entre 2007 e 2008, Geverson Chaves de Melo Freitas, mais conhecido com Ximbinha, curtia seus primeiros momentos no todo poderoso Barcelona, antes da paralisação.

A Espanha já teve mais de 110 mil confirmações de infecção pelo novo coronavírus e mais de 10 mil mortes. Desde 14 de março, os espanhóis enfrentam estritas regras de confinamento, o que, claro, afetou no esporte.

Ximbinha - Foto arquivo pessoal

Ximbinha conta que está sem treinar faz três semanas na Espanha

Ximbinha está sem treinar há três semanas e a previsão é de ficar, pelo menos, mais sete dias de quarentena e evitando o contato fora de casa, já que a maioria dos locais estão fechados.

“A população está respeitando a quarentena, mas a situação ainda é crítica, principalmente nos hospitais. O pessoal no Brasil tem que respeitar a lei e ficar em casa, porque esse vírus não é brincadeira. Se todo mundo fizer isso, o Brasil não será tão afetado como foi aqui, na Itália e na China”, recomendou.

 

Em Portugal

Já são 9 mil casos confirmados, mas o baixo número de 209 mortes mostra uma prevenção mais eficaz de Portugal. Por lá, vivem irmãos Leonardo e Daniel Mendonça, nascidos em Jaraguá do Sul e revelados na cidade pelo projeto Futsal Menor, do Colégio Evangélico Jaraguá.

Léo mora na capital Lisboa, onde defende o Sporting, enquanto Dani atua pelo Braga, da cidade de Braga. Em ambos os locais, assim como em todo país, os trabalhadores estão em quarentena e são orientados a sair de casa apenas em emergências.

Léo foto divulgação

Em Portugal, Léo acredita que a situação está menos pior que em outros países

Não há toque de recolher como em outros países, mas há multas em caso de desrespeito a algumas regras impostas pelo governo.

“A situação aqui está aparentemente controlada pelo governo português por ter agido mais rápido que na Itália e Espanha, onde a situação é mais grave”, ressalta Léo.

Os irmãos estão sem treinar desde os dias 11 e 12 de março e o isolamento seguirá durante todo mês de abril.

Daniel Foto divulgação

Daniel percebe as ruas desertas na cidade

A reapresentação está prevista para o início de maio, mas a chance é grande do prazo ser estendido e até mesmo do campeonato ser encerrado antecipadamente.

“Todos estão levando (a quarentena) muito a sério. As ruas estão desertas e quem está na rua usa máscara e luvas. Fecharam todos os parques, ciclovias e qualquer lugar que possa gerar uma certa aglomeração de pessoas”, conta Dani.